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Mãe, um papel social ou uma amiga?

A resposta para esta pergunta é decisiva quanto à qualidade da relação entre uma mãe e um filho. Sem dúvida, o maior dos amores humanos, o mais abnegado, sincero, dedicado, duradouro. Ser mãe já é em si uma dádiva, amar como uma mãe ama é um privilégio de uma riqueza muito grande. Ter o dom de gerar a vida dentro de si torna as mulheres extremamente sensíveis e emocionais, o que faz delas seres espetaculares. Agora, ser mãe exige sabedoria, porque um amor tão grandioso precisa ser administrado com discernimento.

Uma mãe pode ser a maior abençoadora e motivadora dos filhos, como pode ser também, infelizmente e inconscientemente, uma força opressora que dificulta o desenvolvimento deles como seres espirituais. A relação entre mãe e filho determina uma série de consequências na vida adulta do Ser. Quando se tem uma mãe amiga, presente, cúmplice, despida do orgulho e da vaidade de querer representar um papel social, para simplesmente ser quem ela é, a educação psicológica de uma criança pode ser fantástica.


Por outro lado, uma mãe que deixa de ser mulher e humana, para representar um papel, cujo autoritarismo mina a ternura, o afeto, o toque, o diálogo, o carinho e esconde por debaixo da armadura materna sua essência, pode traumatizar muito. Tal processo compromete futuras relações dos filhos com outros seres humanos, com a sociedade, com o mundo e principalmente com eles próprios. Uma verdadeira mãe, antes de mais nada, precisa ser uma mulher feliz e resolvida internamente.


Porque o que será transferido ao filho é o reflexo exato da relação cultivada com as próprias emoções e sentimentos dela. Uma verdadeira mãe não compensa sua frustração no filho, estimulando-o a fazer de sua vida a realização de sonhos que na verdade são dela. Uma verdadeira mãe não ofende, conversa com amor, repreende sem ser violenta, sabe ouvir, falar e acima de tudo dar um bom exemplo. Uma verdadeira mãe não se contenta em manter uma relação baseada em “filho e mãe”, ela vai além, quer conhecer profundamente o ser, cujo corpo fora gerado em seu ventre. Almeja compreender o mundo dos filhos, seus gostos, seus sonhos, identidade, sem imprimir neles a essência que não lhes cabe.


Uma verdadeira mãe sabe que está criando um Ser para a vida e jamais para si mesma. E por mais que deseje manter os rebentos sob o aconchego de suas “asas”, consegue motivar e criá-los para serem donos de si próprios, do seu destino, de suas escolhas. Ela consegue respeitar o limite acerca de quando precisa interferir e quando necessita compreender que certas questões pertencem ao filho. Sabe se impor e ser firme sem deixar de lado a ternura, a docilidade e o encanto.


Aceita que o espírito nascido dela é um universo repleto de mistérios e por isso, ela sabe que será preciso deixá-lo livre uma hora. Sem deixar de prepará-lo com sabedoria, amor, justiça, moral e caráter para esse momento. Uma mãe visceral não é aquela que enche seus filhos de presentes e mimos, mas a que faz de si mesma e da relação que mantém com eles o maior presente que pode oferecer.


Que rola na terra, que se suja e se joga numa brincadeira alegre e descontraída. Que se permite ser criança com suas crianças, adolescentes com seus adolescentes e adulta com seus adultos. Mantendo acesa a chama de sua essência para que possa oferecer o melhor de si. Sempre presente, porque reconhece que presença é proximidade de alma.


Uma amiga, amparadora, mestra nas horas de dúvidas e incertezas, um ombro e um colo na angústia. Um sermão severo quando preciso. Uma conversa descontraída e muitas vezes sem tabus. Um ser humano sempre próximo, uma alma acessível, aberta, cujo peito exala amor incondicional e eterno.


Vinícius Francis

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